sexta-feira, 29 de maio de 2015

especial reynaldo jardim

POEMA DE REYNALDO JARDIM PARA SEU IRMÃO, 
TAMBÉM SAUDOSO TIO AZAURY

Não quero dizer adeus, eu digo só até já.
Que logo agente se encontra, se vê do lado de lá.
Se chegar antes de mim, mande dizer o que existe,
além do mundo finito, outro mundo alegre ou triste.
Lá em outra dimensão quero saber se persiste
este mundo de ilusão que agente aqui assiste.
Nosso corpo é só casca, um abrigo, um tempo de
provação, um espaço sem sentido? Seremos anti-
matéria, o avesso do real? Uma sombra, uma quimera,
da vida que é real?
É uma viagem fantástica , inútil levar bagagem.
Sem saber qual o destino, sai de graça essa passagem.
Ninguém sabe dia e hora, em que parte esse avião
com destino ao infinito, talvez não saia do chão.

Agente só vive o agora, então, agora é viver.
Acordar de madrugada e ver o dia nascer. Pingar
colírio nos olhos, tomar banho de água fria,
chorar quando for preciso, e cantar só de alegria.
E continuar fazendo tudo que a vida requer.
Almoçar no fast- food, e jantar com a mulher.
O que se deixa da vida, é a vida que agente faz.
Jogue o relógio no lixo e viva com muita paz.

Reynaldo Jardim