sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Leniel Jair II (1950- 2015)




FOLHAS DO OUTONO

Estalo do talo
que quebra
e com a folha cai.
Balbuciante,
planeante desce a folha
apoiada no ar,
despreocupada com o pousar,
o vir se juntar
a legião do outono.
Chão de terra
coberto de grama,
chão de grama
coberto de folhas.
espalhadas, empilhadas
o balançar vacilante
ao sabor da brisa que tange.
O vento mais forte, ventania,
revoante trocar de posições;
parceiros novos,
novos amantes...
onde o sapo se esconde e grasni
e a formiga opera cortante.
Do verde-amarelo
ao roxo-marrom,
vê-se o límpido orvalho,
refletindo o Sol da manhã,
resquício de água sereno
sacia o lamber
da sede animal,
Meio dia de sol ardente
exaurindo as defesas.
O entardecer ressequido
estão as folhas secas do jeito
morrido, sopradas pelo vento
desconsiderando o rito.
Folhas da planta do talo estalido
no chão de grama se encerram
secas em terra.



     /1996            por  Leniel jair

(fonte: O Poético 15- N Friburgo/Rio)